Numa sociedade cada vez mais dinâmica e competitiva, onde se tenta combinar num shaker de emoções, a gestão dos prazos escassos, os compromissos sociais, o acompanhamento dos filhos, a casa, compras, família e amigos, e o "nosso" tempo, torna-se difícil digerir este Mix Urban-Tech.Já que a mobilidade suga por completo as barreiras entre espaço de trabalho e espaço pessoal, onde fica afinal... o Romantismo? Ainda há espaço e vontade para se ser Romântico? E se há, como é o Romantismo do século XXI?
O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico que surgiu na Europa nas últimas décadas do século XVIII, tendo perdurado uma grande parte do século XIX.Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo.
Mais tarde, o Romantismo passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo.
Se o século XVIII foi marcado pela objectividade, pelo Iluminismo, e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo "Eu".
E foi neste ponto que questionei as minhas colegas, que partilhavam entre si alguns dos precalços das suas relações pessoais.
Ainda acreditam que há espaço para o Romantismo? Ou este transformou-se numa daquelas peças de "roupa velha" que colocamos no Baú e deixamos de usar porque caiu em desuso?
As opiniões dividiram-se...
Curiosamente, a mais irreverente de todas, demonstrava afinal ser a mais romântica,
enquanto que a tida como mais conservadora, se mostrou bem mais "apática" em relação a certos comportamentos mais "amorosos", considerando-os até um pouco ridículos e antiquados... Por exemplo, o celebrar um aniversário de namoro, um jantar romântico com troca da prendas, oferta de flores... etc.Com as hostes divididas, optei por lançar mais umas "achas" para a fogueira, e coloquei uma outra questão... Sabendo que ambas trocam SMS's matinais com as respectivas caras-metade, perguntei como "arrumavam" este tipo de... "comunicação amorosa": no baú cheio de roupa demodé, ou num eventual gesto de "romantismo do Sec. XXI" ?
E as trocas de emails?... E os postaizinhos virtuais? E a troca de sinais no msn?...
Serão estas as novas formas de demonstrar ao outro o quanto se gosta? Será que o Romantismo se pode medir pelo número de SMS's trocados pela manhã, ou pelas pequenas discussões quando o outro nao responde à mensagem no messenger? Ou pelo cartão virtual esquecido, frustrando o outro porque se sente o único a não ter nada para colocar no seu Desktop no dia de S. Valentim? E sem esquecer o envio daquela música especial, em MP3...
Fez-se silêncio por alguns instantes e, pouco tempo depois, demos uma valente gargalhada.
Desta vez, houve unânimidade...
Afinal, o Romantismo veio para ficar...
Podem não existir flores naturais. Podem não existir caixas de bombons enfeitadas com
laçarotes gigantes em tom de amarelo metalizado, ou ursinhos de "pelúcia". E podem até nem existir jóias ou viagens... Mas o mínimo, o mínimo tem de existir! Uma troca de Bites & Bytes amorosos, onde até os confusos algoritmos frios e impessoais se tornam, por momentos, nos mensageiros de todas as emoções e dos sentimentos humanos mais profundos...
Definitivamente, Love is in the Air, e é cada vez mais Wireless! ;)
4 comentários:
Olá Yasmin :-)
Romantismo? Sim, sou a favor (caso venhamos um dia a ter um referendo também sobre isto, já cá fica a minha opinião).
O Romantismo ainda existe... digo eu, fruto da minha singela experiência e observação. É verdade que há entraves quotidianos, a saber: o tempo (ou falta dele - empregos, empregos!!); os hábitos e as tecnologias que se vêm alterando e que apesar de proporcionarem uma mais fácil comunicação acabam paradoxalmente por propiciar também uma maior solidão; os próprios papéis assumidos por homem e mulher numa relação são hoje em dia menos claros, o que se calhar põe o rapaz a pensar duas vezes antes de comprar um ramo de flores à namorada (não vá ela pensar que ele é "old-fashioned").
Mas pelo menos não há entraves do género: 1. ter que namorar sob a supervisão dos pais (pouco romântico, a meu ver); 2. ter que namorar com a pessoa escolhida pelos pais (ainda pior!); 3. esperar 2 anos enquanto o namorado está na Guerra, sem saber se ele recebe as cartas que lhe enviamos (façam quantos filmes quiserem sobre isto, NÂO acho romântico, acho desesperante); and so on.
Ou seja, boas notícias para todos nós: cada vez há mais liberdade para sermos românticos e cada vez mais formas possíveis de o demonstrarmos! :-D Estaremos a aproveitá-las?
Depois há pormenores que dão que pensar, claro. Por exemplo: eu sou adepta fervorosa da comunicação por sms e e-mail. Adoro e acho que pode ser bastante romântico. Mas, agora que penso nisso, acho que podem acontecer coisas estranhas como não se ficar sequer a conhecer a letra do namorado (porque nunca se escreve nada à mão!!). E isso é estranhíssimo. Pronto, acaba por ser resolvido a médio prazo, quando vier um postal de aniversário ou uma dedicatória num livro, hopefully. :-)))
Resumindo: Romantismo? Sim, sim, e sempre perpetuado no cinema, na música, na literatura.
Wireless Love? Sim, claro. Desde que não se torne "Virtual". :-)
**
ms
Desde que as coisas não sejam só virtuais e sejam tb reais, estas novas tecnologias podem ser muito românticas! Um email, um cartão virtual, um sms... eu gosto! :-D
Romantismo, sempre !!
Esposas, amantes, namoradas... ajudem, ou melhor, obriguem os vossos homens a ser romanticos ! Vão por mim, eles (nós) precisam(os) de ajuda nesse campo ! Os homens são quase sempre romanticos, o problema é assegurar esse romantismo para além da fase inicial de conquista...
Morningstar,
obrigada pelo comentário, bem como à Kitty e ao Jorge.
De facto, acredito no Romantismo, epor isso defendo que veio para ficar! Apenas existem novas formas à disposiçao para ousarmos e não ter medo de se achar antiquado por enviar beijos ou a foto de uma flor que seja, por sms/mms, por exemplo. :)
OU seja, acho que temos cada vez menos desculpas para não demonstrar o quanto pensamos no outro... no matter how distant.
Mas sim, Kitty, que não se torne TUDO virtual ou "distance made"... Seria então tudo muito... frio e pouco emocional.
beijos a todos e... comecem já a pensar no Dia de São Valentim. ;)
Yasmin
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